Você nunca pensa muito na diferença que
você faz na vida das pessoas, eu nunca parei para analisar isso, mas vou tentar
explicar. Eu sou uma pessoa ciumenta, odeio emprestar meus queridos livros,
toda vez que decido emprestar algum deles, eu entrego o livro com o coração nas
mãos e praticamente ordenando nas entrelinhas que a pessoa o devolva o mais
rápido possível e em perfeito estado. Pode até parecer meio egoísta, mas nós
sabemos que ninguém sabe cuidar de nossos livros como nós mesmos, por isso, o medo
invade, e ao mesmo tempo que queremos disseminar pelos quatro cantos do mundo o
quanto tal livro é bom, a angústia de emprestar um livro é gigantesca,
entretanto, as vezes você precisa esquecer essa atitude.
Há poucos meses, eu decidi emprestar
alguns dos meus livros, apenas para as pessoas que confio e sei que irão cuidar
dos meus bebês, e sabe aquela sensação maravilhosa quando a pessoa aparece com
aquele sorriso enorme no rosto dizendo que amou o livro? Quando alguém te liga
no meio da madrugada apenas para contar que chorou horrores com a história?
Quando ela conta que pagou muitos micos no curso rindo disparadamente da
personagem? Quando alguém te abraça com os olhos brilhando e dizendo que está
apaixonada por tudo que leu? Ou quando a pessoa vira para você e diz que
está lendo uma página por dia para que o livro não acabe depressa? Isso tudo
não tem preço.
Que leitor nunca sentiu uma vontade
absurda de sair gritando para qualquer um ouvir que aquele livro é
dolorosamente perfeito? Eu sempre sinto isso, e poder conversar com alguém que
sente o mesmo é sempre incrível, vocês discutem, debatem, tem ataques
histéricos por motivos de tal personagem, e choram abraçados graças a morte de
outro, as vezes, só de olhar nos olhos da pessoa que leu aquele livro você já
entende o que ela está passando, porque é um sentimento mútuo, é algo que
ultrapassa obstáculos monumentais, a leitura faz isso, e acreditem, ela faz a
diferença.
Quando alguém me pede alguma
recomendação, meu sorriso se alarga e eu começo a tentar decidir qual dos
muitos livros eu recomendaria, sempre ouço com atenção quando alguém vem me
contar o que achou do livro, a pessoa sempre me pergunta no final se eu a acho
louca por ter se sentido de tal forma, e eu apenas sorrio, porque eu sei o que
elas estão sentindo, eu sinto isso, e talvez essa loucura seja uma virtude da
leitura.
Hoje eu ouvi o maior elogio que eu
poderia ouvir, um amigo me disse que quando as pessoas estão perto de mim, elas
sentem uma vontade enorme de crescer, de saber mais, de ler mais, ele disse que
eu faço isso com as pessoas, que eu as influencio, muitas vezes indiretamente,
a mergulhar nesse mundo vasto e maravilhoso da literatura, que ao me verem com
um livro nas mãos, elas também sentem a vontade de estar com um, de saber o que
eu estou sentindo, eu fiquei emocionada, não estou me vangloriando de nada,
apenas fiquei feliz em saber que, sem querer, eu faço a diferença, uma pequena
diferença, mas eu faço.
No fim das contas, eu percebi que o
melhor presente que eu posso oferecer nesse mundo para qualquer pessoa são as
palavras, na maioria das vezes elas são suficientes, e da mesma forma que podem
destruir vidas, elas também podem salvar muitas outras. Ouvir das pessoas que
você muda vidas através das palavras é o melhor presente que alguém pode
ganhar. Uma vez, meu professor de ensino religioso nos perguntou se, durante
toda a nossa vida, tínhamos feito algo que mudou a vida de alguém, bem, agora
eu tenho uma resposta...
Larissa Mirandah
